Bergamo, o esmagador, e Goku, o mau: análise do episódio 81

Finalmente, com a exibição do episódio 81 de Dragon Ball Super, tivemos a conclusão do torneio de exibição com a luta entre Goku e Bergamo, o esmagador, mas também tivemos uma série de reviravoltas, tanto no que diz respeito a este e ao próximo episódio, quanto a este derradeiro arco. Assim, neste artigo, trago o resumo do supracitado episódio, sua análise e uma discussão: o bem e o mal dentro da franquia Dragon Ball.

Resumo do episódio 81

O episódio foi bem simples. Iniciando com Goku se preparando para a luta sem perceber que todos os deuses de todos os universos estavam assustados com o que haviam acabado de ouvir (o pronunciamento do Sumo-Sacerdote), só se dando conta quando dirige a palavra a Bergamo e este o manda se calar, voltando-se, em seguida, para Zen’Oh-Sama.

Em seu discurso (elogiado, inclusive, pelo próprio Zen’Oh-Sama através do Sumo-Sacerdote), Bergamo distorce as coisas e declara que a culpa de tudo aquilo é do Goku, que ele era seria o responsável pela destruição dos universos (primeira reviravolta). Em seguida, pede para o Rei de Tudo que, caso ele, Bergamo, vença a última luta do torneio de exibição, Zen’Oh-Sama mude a regra de destruir os universos perdedores.

Bergamo, pouco antes de discursar.

Bergamo, mandando a real pro Goku.

Após pensar sobre o caso, o Rei de Tudo finalmente dá a sua declaração por intermédio do Sumo-Sacerdote: se Bergamo vencesse Goku, não mais haveria a regra de que os universos perdedores do Torneio do Poder seriam destruídos, mas, em contrapartida, se Goku não desse tudo de si na luta e facilitasse para que Bergamo vencesse, todos os universos seriam destruídos (segunda reviravolta).

Bergamo todo marcado

Bergamo se deixa golpear para ficar mais forte.

Bergamo agradece (e, a essa altura, todos dos demais universos se convenceram de que a culpa é do Goku), Goku se anima e os dois se enfrentam. Aqui é revelado que a habilidade do irmão do meio do Trio Perigoso consiste em absorver o poder dos seus oponentes para aumentar o seu tamanho e devolver com golpes com o dobro do poder. Assim, ele vai ficando cada vez maior, mas Goku não é bobo e se transforma em super sayajin a fim de que Bergamo absorva mais e mais poder, até atingir o seu limite.

Vendo que seu oponente não podia mais crescer além do limite possuído, Goku vira super sayajin azul e o combina com o kaioh ken, mandando um kame hame ha contra Bergamo, que utiliza o seu wolfgang penetrator, mas sem sucesso.

Wolfgang penetrator contra Kame hame ha.

Então, o Sumo-Sacerdote dá por encerrado o torneio de exibição e declara que, a partir dele, foram definidas algumas mudanças no torneio do poder: não se poderá utilizar armas, nem nada que permita a alguém voar, tampouco matar o oponente; se um lutador cair da arena (situada em pleno nada), será considerado perdedor; se um lutador cair inconsciente, deverá ser jogado para fora da arena pelo oponente; toda a luta deverá ter, no máximo, 48 minutos de duração e, ao término, vence o universo que tiver o maior número de lutadores em condições de luta na arena, pois o torneio se dará no formato de batalha campal, onde todas as oito equipes se enfrentarão simultaneamente; além disso, caso sobreviva apenas um lutador dentre todos os 80, o universo dele será declarado vencedor.

Se havia alguma dúvida que esse Sumo-Sacerdote é do mal, elas se foram pra bem longe.

Por fim, ainda no começo do episódio, os deuses do universo 11 indagaram ao seu ilustre convidado, Toppo, o que achavam de Goku, como ele o avaliava, ao que ele disse que, primeiro, precisaria vê-lo lutar para dar o seu parecer depois. Assim foi feito e, no final do episódio, Toppo invade a arena, revela sua identidade (líder da Tropa do Orgulho) e declara sua vontade de enfrentar Goku, que ele diz ser alguém mau.

Análise do episódio 81

Episódio bem feito, com o seu conflito surgido e resolvido ali mesmo, mas, a partir dele, apresentando um gancho para o episódio seguinte e várias informações, que deverão ser utilizadas em episódios posteriores.

A luta entre Goku e Bergamo foi boa, a meu ver, com boas cenas de trocação de golpes, porém, como o próprio Goku declara para Bergamo, ele não é incomum por conta da habilidade dele. Quer dizer, ele absorver o golpe do adversário e devolver com o dobro do poder, além de aumentar o seu tamanho, realmente é algo novo, mas Bergamo não é o primeiro a possuir a habilidade de usar os poderes alheios para se beneficiar, inclusive, esse tipo de oponente é frequentemente enfrentado por Goku e derrotado devido ao sayajin usar a habilidades deles contra eles, isto é, aumentando o seu poder até eles não darem conta, como no caso do Yakon (arco Majin Boo) e do Janemba (filme “O renascimento da fusão: Goku e Vegeta,” de 1995). Os androides 19 e 20 talvez sejam a exceção a isso.

Agora, que o Bergamo gigante foi algo nostálgico de se ver, ah, isso foi, pois lembrou as lutas do Goku contra os namekuseijins Piccolo Jr, em Dragon Ball, e Slug, no filme “Dragon Ball Z: Goku, o super sayajin” (1991).

Também foi interessante ver como todos os representantes dos demais universos foram convencidos pela oratória de Bergamo de que  Goku é o responsável pela destruição dos universos de baixo nível de poder, sendo que a fala do Sumo-Sacerdote, no episódio anterior, havia sido bem clara quanto ao fato de a decisão do Rei de Tudo ser anterior ao pedido do sayajin.

Quanto ao tratamento do Goku como um vilão, isso fica para a próxima seção, pois ainda falta falar de três outras coisas. Primeiro, para quem tinha dúvidas quanto ao ranking estabelecido por Zen’Oh-Sama, se ele se refere a nível de poder de luta ou a nível cultural, o discurso de Bergamo deixou claro que se trata de níveis de poder de luta, pois ele se apresenta como um guerreiro do universo que está em último no ranking, mas que ele é mais poderoso que Goku.

Em segundo, a revelação de que o Torneio do Poder se dará no formato de uma grande batalha campal entre as oito equipes dentro do tempo limite de 48 minutos pegou todos de surpresa e, muito provavelmente, fará com que tenhamos episódios focados em determinados pontos da arena a cada vez. Quer dizer, poderemos ter episódios sucessivos cujos acontecimentos se deem de maneira simultânea.

Por fim, quando comentado que será necessário trabalho em equipe para se vencer o torneio, foi interessante a observação de Whiss de que esse é exatamente o ponto de Goku e foi mais interessante ainda ver este retrucando que não é bem assim, que as coisas sairão bem se Gohan estiver junto, ou seja, Gohan será o capitão, o estrategista do time do universo 7.

O bem e o mal em Dragon Ball

Finalmente, o que mais me chamou a atenção foi quando Bergamo acusou o Goku de ser o vilão responsável pela destruição dos universos – o que é compreensível, num primeiro momento, porque ele não poderia acusar Zen’Oh-Sama de vilania, mas, num segundo momento, também fica visível uma tentativa de manipulação de quem assiste (isso, inclusive, chega a ser comentado entre os representantes do universo 7).

Isso me lembrou daquele episódio em que o Chaves é acusado de roubo e todos ficam chamando o guri de ladrão.

Isso trouxe repercussão imediata e contribuiu para a reviravolta do final do episódio, quando Toppo invade a arena para desafiar Goku por ele ser mau. Agora, por qual motivo eu achei tudo isso muito interessante?

Porque, que eu me lembre, nunca antes, na franquia Dragon Ball, os conceitos de bem e mal haviam sido tratados de maneira relativa. Já vimos o mal, mais especificamente, sendo tratado sob diferentes causas, a saber:

  • Trauma fútil-narcisista de Red, o comandante do exército Red Ribbon;
  • A simples busca pelo poder do autoproclamado Rei Pilaf e de Black, o vice-comandante e usurpador do exército Red Ribbon;
  • Misticismo/espiritualismo de Piccolo Daimaoh, a contraparte maligna do namekuseijin sem nome, e de Majin Boo, criatura criada pelo mago Bibidi e que é pura maldada;
  • Predisposição biopsicológica com forte construção social, no caso da raça dos sayajins;
  • Biologia, no caso da raça de Freeza;
  • Programação artificial, no caso dos androides do Dr. Gero, e engenharia genética, no caso do biomecanoide Cell.

O mais próximo que tivemos, até então, de um tratamento do conceito de bem e mal como algo relativo foi visto no arco do Zamasu e do Goku de preto, principalmente por conta do ideal de justiça apresentado pelos antagonistas, mas, no fim das coisas, a coisa toda se revelou como uma abordagem do mal enquanto insanidade.

Claro, tudo isso se considerarmos que realmente há uma abordagem de tal conceito e que tais personagens devem ser vistos como maus. Digo isso porque é comum a confusão entre os conceitos de “bem e mal” com os de “certo e errado.” Acontece que os dois primeiros são realmente relativos, diferentemente dos dois últimos, os quais, analisadas as circunstâncias, são estabelecidos e ponto. Noutras palavras, nem todo mundo que faz algo errado é mau, da mesma forma que nem todos os que agem certo são bons. Goku é o maior exemplo disso.

Como discutido noutros artigos e, principalmente, em “Torneio do Poder: comentários sobre os episódios 77, 78 e 79 de Dragon Ball Super,” o Goku é um típico sayajin idealizado por Akira Toriyama, o significa dizer que ele busca apenas lutar contra oponentes mais fortes para ficar mais e mais fortes. Ele não é um herói, não luta porque seja certo lutar, embora o tenha feito em alguns momentos, mas apenas porque o seu desejo de enfrentar caras mais fortes convergiu com a necessidade de se parar alguém perigoso para o universo.

E é isso que torna toda a situação ainda mais interessante, pois há uma enorme possibilidade de que essa discussão quanto ao Goku ser bom ou mau, devido ao seu comportamento inconsequente, ter sido inserida propositalmente no roteiro do série, talvez como uma forma de o autor ter a sua alma lavada após anos de alterações feitas pela Toei Animation.

O Toppo, líder da Tropa do do Orgulho, acha o Goku maligno, mas e você, o que acha?

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *